|

Enterrados no Jardim

Diogo Vaz Pinto e Fernando Ramalho
Diogo Vaz Pinto e Fernando Ramalho à conversa, leve ou mais pesarosamente, fundidos na bruma da época, dançando com fantasmas e aparições no nevoeiro sem fim que nos cerca, tentando caçar essas ideias brilhantes que cintilam no escuro, ou descobrir a origem do odor a cadáver adiado, aquela tensão que subtilmente conduz ao silêncio, a censura que persiste neste ambiente que, afinal, continua a sua experiência para instilar em nós o medo puro. Vamos desenterrar, perfumar e puxar para o baile os nossos amigos enterrados no jardim, e deixar as covas abertas para empurrar lá para dentro aqueles que só aí andam a causar pavor e fazer da vida uma austera, apagada e vil tristeza.
Gostas deste podcast? Partilha!

Episódios

A flotilha, os refugiados, a Odisseia e o marisco. Uma conversa com Miguel C. Duarte

2026-07-17 · 4:12 h
Vulgarizamo-nos por nos vermos forçados a explicar de todas as vezes os aspectos decisivos nas nossas vidas, abandonados de toda a paixão, limitados a uma frieza racional, de modo a serem apreensíveis segundo os critério…

Os trânsfugas da ficção lusa. Uma conversa com Filipa Martins

2026-07-11 · 4:01 h
Certa vez, Cabrera Infante deu-se a oportunidade de passar algumas horas na presença do seu mito encarnado, esse ídolo que, depois de tanto nos instigar, vai cedendo com o passar dos anos à pressão, e revela as suas falh…

O artista contemporâneo, esse activista financeiro. Uma conversa com António Pinto Ribeiro

2026-07-04 · 3:05 h
No início dos seus manuscritos, de 1844, Marx escreve qualquer coisa como «o meu próximo é o dinheiro», e o poeta francês Christophe Hanna admite que esta declaração pode ser entendida como uma indiciação de que o dinhei…

Os arquitectos da guerra que virá. Uma conversa com Marta Lança

2026-06-27 · 4:37 h
Acho que fica bem claro como estava já tudo descrito muito antes de termos nascido. Como nos lembra Sven Lindqvist, a palavra «Europa» deriva de uma palavra semítica que significa apenas «escuridão». E, de resto, como el…

Os Ortopedistas do Poder. Uma conversa com Duarte Rolo

2026-06-19 · 3:51 h
Como se esbanja por aí a eternidade, como se sacodem as suas pulgas, condenando os melhores vícios, a desordem sábia, e abrimos mão dos verdadeiros triunfos, da íntima noção dessas alegrias humildes, desse calor das exis…

O Apocalipse de Merda. Uma conversa com Michael Marder

2026-06-13 · 4:18 h
Uma desoladora mistificação do nosso tempo opera-se pelo colapso da responsabilidade, como um processo de recitação em que o ser se expurgasse daquela impiedade no juízo que faz de si mesmo, deixando de reconhecer como a…

Um acepipe nas barricadas. Outra conversa com David Teles Pereira

2026-06-06 · 4:36 h
Se as perdêssemos de vista por umas horas, não saberíamos reencontrar as nossas vidas pelo cheiro, nem pelo gemido que fazem, nem daríamos com esses corpos tão abatidos que só de um certo ângulo, a poucos palmos do espel…

A Balsa da Medusa. Uma conversa com Margarida Davim

2026-05-29 · 4:17 h
Tudo o que disser aqui pode ser usado contra si. E não é assim, e cada vez mais, em toda a parte? Parece que temos alguma coisa contra a vida. Por princípio, e contrariamente ao que se diz. Só isso explica a falta de ar,…

Malcriados, malnascidos, estrangeiros e apátridas. Uma conversa com Diogo Nóbrega

2026-05-23 · 4:39 h
“Também Diane Arbus nos deu, na sua fotografia,/ da loucura não o refúgio (o asilo) mas a corrida/ (atrevida) – ou o passo de dança (Disse, Dança?)./ ‘Pass through the fire to the light’, de novo L. Reed.” Isto é uma cos…

Maus fígados, objectivos comuns. Uma conversa com Ricardo Mangerona

2026-05-16 · 3:56 h
Nesta república de sonsos, em breve o ódio terá o melhor de nós, a parcela que, num acesso revoltoso, se esforça ainda por compreender o estado das coisas, e será a última expressão contendo um verdadeiro sinal de fervor…

Exorcisar o medo, escapar à tragédia. Uma conversa com Lourença Baldaque

2026-05-09 · 4:57 h
De toda a parte nos chegam avisos quanto a uma crise de autores teatrais, ou do conto, do romance, géneros que déramos como adquiridos, elementos constantes de uma plena função cultural, mas se se perdeu o entusiasmo das…

Poeta: profissão liberal. Uma conversa com João Vasco Rodrigues e Nuno dos Santos Sousa

2026-05-02 · 4:32 h
A natureza não dá satisfações. À sua semelhança, também a poesia faz o que precisa fazer, e ninguém deve esperar que se enrede em justificações. Por outro lado, a crítica é uma arte de se mostrar audaz nos motivos que ar…

A inteligência de ficar para último. Outra conversa com Patrícia Câmara

2026-04-24 · 2:56 h
Exaustos de seres virados do avesso, sem interior, protagonistas incapazes de se despirem no escuro, trabalhando essa luz desesperada que vai de escândalo em escândalo, tínhamo-nos procurado retirar entre aquilo que nos …

A intensidade dos condenados. Uma conversa com Victor Barros

2026-04-17 · 3:50 h
Desta vez, tivemos de nos ficar pelos trabalhos preparatórios, já que este texto, que costuma ser redigido depois, teve de ser apressado, vindo antes, e a previsão é que Victor Barros (cabo-verdiano, historiador doutorad…

Tenho saudades da Comuna de Paris. Uma conversa com Joana Craveiro

2026-04-11 · 3:43 h
Certa vez Herzog recomendou o cinema como uma arte tão cativante por se manter imune às obsessões dos eruditos, sendo um recreio dos iletrados. Nietzsche desdenhava daqueles que assumem a leitura como um passatempo, essa…

Crónica dos pássaros dissecados em pleno voo. Outra conversa com Margarida David Cardoso

2026-04-04 · 3:48 h
O meu demónio quer saber onde está o divã. Quer deitar-se nele e dar início ao disparate que tivemos de interromper da última vez. De qualquer modo ficamos sempre a meio. É impossível chegar a algum lado com estes rodeio…

A Manosfera e os Drag Kings. Outra conversa com Maria João Faustino

2026-03-30 · 4:26 h
“Também a ‘realidade’ dos corpos inocentes foi violada, manipulada, adulterada pelo poder consumista: mais ainda, essa violência sobre os corpos tornou-se o dado mais flagrante da nova época humana… As vidas sexuais priv…

Ler livros de história num bordel em Alexandria. Uma conversa com José Luís Costa

2026-03-20 · 4:46 h
“Daqui por mil anos não restará nada/ de quanto foi escrito neste século./ Hão-de ler-se frases soltas, pegadas/ de mulheres perdidas,/ fragmentos de crianças imóveis,/ os teus olhos lentos e verdes/ simplesmente não exi…

Os ossos de Che Guevara a flutuar no espaço. Uma conversa com João Vasco Lopes

2026-03-13 · 4:22 h
Sempre que se diz alguma profanidade com suficiente desarranjo para ferir a sensibilidade do leitor começa a contagem decrescente em que toda a gente se sente no direito de exigir a súbita torção redentora ou, pelo menos…

Não gosto que salvem o mundo à minha custa. Uma conversa com José Gardeazabal

2026-03-07 · 3:01 h
“Tudo é fácil quando temos vontade própria e estímulo alheio, mas é difícil sermos aquilo que somos. Os outros não deixam.” E ainda que lhes fosse indiferente, que não se acumulasse neles esse rancor de ver alguém tomar …